Capa

Quenianos ampliam invencibilidade estrangeira na 98ª Corrida Internacional São Silvestre

Catherine Reline repetiu o feito de 202, e conquistou o bicampeonato. Timothy Ronoh, estreante na prova, mostrou a que veio e garantiu a vitória. Os melhores brasileiros na disputa ficaram em sexto, tanto no feminino como no masculino

31.12.2023  |  1.622 visualizações

 

o Paulo (SP) – A hegemonia do Quênia se confirmou mais uma vez, neste domingo (31), na 98ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre. Catherine Reline consagrou-se bicampeã da prova, após repetir o feito do ano passado e vencer mais uma vez os 15 km da mais tradicional e importante corrida de rua do país em 49min54s. O pódio desta edição foi totalmente estrangeiro, com a presença de quenianas, uma etíope e uma boliviana. O também queniano Timothy Kiplagat Ronoh, estreante na São Silvestre, mostrou a que veio, e cumpriu o que “prometeu”, garantindo sua primeira vitória, completando o percurso em 44min52s.

Assim como no Feminino, o pódio masculino foi completamente estrangeiro, dominado por africanos, e com um boliviano em quinto lugar. A prova deste domingo reuniu 35 mil atletas que percorreram os 15 km pelas ruas e pontos turísticos de São Paulo.

Já os brasileiros, que entraram confiantes na disputa, não tiveram chances contra a força africana. Os melhores atletas nacionais completaram a 98ª edição da prova na sexta colocação, tanto no masculino, como no feminino. Johnatas de Oliveira Cruz foi o melhor brasileiro entre os homens (46min33), e Felismina Cavela a melhor representante no país entre as mulheres (55min04s).

O domingo amanheceu sem chuva e com temperaturas amenas. Às 7h40, na largada da Elite Feminina estava 19o e umidade em 75%, com vento em 13km/h. Um pouco mais tarde, às 8h05, quando largou o pelotão Masculino da Elite, os termômetros já registravam 22o. O clima agradável parece ter contribuído para os feitos dos quenianos. que demonstraram rápida adaptação ao nosso país e não tiveram dificuldades com as condições locais.

Timothy Kiplagat, que participou pela primeira vez da São Silvestre, mostrou total adaptação ao clima, e não encontrou dificuldades durante o percurso. O queniano fez boa largada, e soube impor seu ritmo, ainda nos quilômetros iniciais. Após passar o trecho do estádio do Pacaembu, já liderava e abria distância para os concorrentes. Depois, passou a liderar com certa folga, e manteve o ritmo forte, durante todo o percurso. E não foi ameaçado em nenhum momento. Foi o primeiro a apontar na Avenida Paulista, após a subida da Brigadeiro, um trecho exigente da prova, e cruzou de forma tranquila a linha de chegada em primeiro, com o tempo de 44min52.

Estou bem feliz com a vitória. Vim bem preparado e confiante para buscar o primeiro lugar. Foi muito importante esse resultado. A prova foi uma preparação para a Maratona de Tóquio que farei em março de 2024. Senti que estou bem preparado para meu próximo desafio. Todos saíram juntos, mas nos primeiros quilômetros eu tive a chance de abrir distância e foi o que fiz. Sabia que viriam trechos de subidas, então resolvi acelerar e administrar nas partes mais planas, para ter uma margem de segurança na subida. Estou feliz com o resultado na minha estreia”, contou Timothy.

Catherine Reline novamente sobrou nas ruas de São Paulo. A queniana que venceu em 2022, demonstrou bom desempenho neste ano e usou da boa estratégia para voltar a vencer a prova que encerra o calendário esportivo. Largou bem, manteve um bom ritmo e foi seguida de perto pelas concorrentes, até o sétimo quilômetro, depois, passou a buscar a liderança e quando se viu liderando, não diminuiu o ritmo, ditando boas passadas do começo ao fim. Liderou de forma absoluta mais da metade da prova e cruzou a linha de chegada na Avenida Paulista com quase 2min de diferença para a segunda colocada.

Estou muito feliz em conquistar o primeiro lugar em mais uma São Silvestre. Acho que foi uma boa prova. Me senti mais tranquila do que o ano passado. Talvez por eu já conhecer o percurso. Mantive um ritmo forte, administrei a boa vantagem que construí no trajeto, contei com o apoio das pessoas nas ruas e, felizmente venci novamente. Estou bem contente por mais esta conquista”, declarou a bicampeã Catherine, de 21 anos.

Brasileiros sentem o percurso, mas garantem lugar no Top-10

Os atletas brasileiros sentiram a pressão estrangeira e também o exigente percurso da São Silvestre. E, como tem acontecido nos últimos anos, não tiveram chances contra o pelotão africano. Mas, apesar de não se colocarem no pódio da 98ª edição da prova, garantiram lugar entre os dez melhores da disputa. Johnatas de Oliveira Cruz, foi o melhor brasileiro entre os homens (46min33), e Felismina Cavela a melhor representante no país entre as mulheres (55min04s), ambos completaram os 15 km na sexta posição.

O mineiro natural de São Pedro dos Ferros, Johnatas Oliveira relatou os desafios da corrida. “Para mim a maior dificuldade sempre é a subida da Brigadeiro, depois que passamos fortes nos três primeiros quilômetros, fomos sentindo mais o exigente percurso. O trajeto exige um treino direcionado que mescla velocidade nas descidas, e um treinamento de força na subida. Quem consegue subir bem, é que tem as melhores chances., acho que fiz um bom trabalho e atingi meu objetivo de ser o melhor brasileiro na prova”, contou o ex-gari.

Felismina Cavela, a melhor brasileira na prova, com a sexta colocação, contou os desafios da disputa. “Agradeço a Deus por esta oportunidade. Foi uma corrida muito difícil, um percurso bem pesado. Mas estou muito feliz com o resultado, porque é minha estreia na São Silvestre. Tenho que agradecer por todas oportunidades que o Brasil tem me proporcionado, adotei esta pátria como minha casa. Estou há 12 anos aqui, meu filho é brasileiro e estou orgulhosa de representar este país. Sou uma cidadã brasileira, e estou feliz em ser a melhor atleta do Brasil, ainda mais por ser minha primeira vez”, comemorou a atleta angolana de nascimento, mas já corre como cidadã brasileira.

A Corrida Internacional de São Silvestre é uma propriedade da Fundação Cásper Líbero, realização do Portal GazetaEsportiva.com, promoção da TV Gazeta, transmissão das TVs Gazeta e Globo, com organização técnica da Yescom. O patrocínio e das Loterias CAIXA, Café 3 Corações Comgas, Itambé, Drogaria São Paulo, Assai, Smart Fit, Saucony, Montevérgine e Movida.

O apoio institucional é da Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, Secretaria de Turismo da Cidade e Governo do Estado de São Paulo. Apoiam o evento também, Dois Cunhados, Cosan, Polpanorte e DiGaspi. Patrocínio especial de Powerade e apoio de Chás Leão, You Mercado, Cânfora Bravir, Espaçolaser, Chiptiming, Up Sports, Shell Box, Monaro Camisetas, Copra, Movimento Plástico Transforma, Rema Medalhas, Hotel Intercity Ibirapuera, Invente Bolsas, Invente Brindes, Expo Center Norte e Instituto Center Norte.

 

Resultados da 98a São Silvestre:

 

Masculino

1) Timothy Kiplagat Ronoh (Quênia), 44min52s

2) Emmanuel Bor (Quênia), 45min28s

3) Reuben Poguisho Longoshiwa (Etiópia), 45min44s

4) Josephat Joshua Gisemo (Tanzânia), 45min50

5) Hector Garibay Flores (Bolívia), 46min07s

6) Johnatas de Oliveira Cruz (Brasil), 46min33 (melhor brasileiro)

 

Feminino

1) Catherine Reline (Quênia), 49min54s

2) Sheila Chelangat (Quênia), 51min35s

3) Wude Ayalew Yimer (Etiópia), 51min46s

4) Jhoselyn Yessica Camargo (Bolívia),

5) Viola Jelagat Kosgei (Quênia), 53min52

6) Felismina Cavela (Brasil), 55min04s (melhor brasileira)

 

Cadeirantes

1) Fernando Aranha (Brasil), 50min12s

2) Rogerio Costa Lima (Brasil), 54min02s

3) Carlos Antonio Guedes do Nascimento (Brasil), 55min30s

 

Mais informações no site oficial: www.saosilvestre.com.br

Leia também...
30.12.2023

Estrangeiros querem manter a hegemonia africana, que dura mais de uma década

30.12.2023

Atletas estiveram neste sábado no Ibirapuera

29.12.2023

Largadas começarão a partir das 7h25min

28.12.2023

Três africanos reforçarão o grupo de estrangeiros na disputa de domingo, com destaque para a bicampeã Yimer Wude